‘Cause the times, they are a-chaangin’

Quem, como eu, vive numa zona cheia de imigrantes, já tinha reparado nisto. Podiam também mencionar as lojas de produtos romenos e brasileiros e os cafés de brasileiros com gastronomia do país irmão (ando há meses para descobrir o que é um caldo de cana….tem ar de ser bom!)

O que nunca percebi nas pequenas mercearias de bairro é a sua incapacidade em agrupar-se (nem que seja informalmente), para conseguir gerar alguma economia de escala no abastecimento de produtos, o que poderia levar a preços mais baixos e margens de lucro maiores…

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mas???….

mas?

esta pergunta repete-se na minha cabeça vezes sem conta! mas o que é que aconteceu? mas porquê? mas o que é que se passa? mas ainda agora, há um segundo atrás, estava tudo calmo? mas? mas? mas? mas? mas querem à força criminalizar a contestação social deste país? mas querem esconder debaixo do tapete o que se passa na frente de todos? mas querem dizer que está tudo bem quando não está? mas querem tornar violenta uma manifestação pacífica? mas? mas? mas?

pessoalmente, tenho vergonha destes actos. tenho vergonha destes comportamentos que insultam a liberdade de todos. tenho vergonha que queiram mostrar o que não é verdade. as imagens e as palavras falam por si aqui, aqui, aqui, aqui, aqui

e os ‘mas’ continuam visto que o Governo só apresentará os números da greve no final do mês! mas porquê? querem esconder mais alguma coisa? não chega já? foram dadas orientações às empresas públicas para não divulgarem dados sobre a adesão…então? não têm números? é assim tão difícil saber quantos foram os trabalhadores a fazer greve? ou haverá aqui pelo meio alguma censura? e o direito à greve onde está? talvez o queiram fazer desaparecer e votar o direito à ‘não greve’ como nos fazem crer as palavras do deputado do CDS-PP na Assembleia da República no próprio dia da greve.

mas tudo se torna ainda mais caricato (se caricato é a palavra correcta) quando aparece a notícia de que a PSP quer “perceber o que se passou”…mas porquê? mas não estavam lá? mas não carregaram nos manifestantes querendo transformá-los em criminosos?

ontem (dia 23 de Março) podia ler-se no blog do jornalista Pedro Rolo Duarte o seguinte: “A mulher que está a ser agredida pelo grunho da PSP é a jornalista Patricia de Melo Moreira, fotógrafa da agência AFP. Com o rigor do trato policial, acho que tenho mais medo dos policias do que dos ladrões. Mas confesso: não é de agora este sentimento de absoluta insegurança face à pequena autoridade.”

ficam-me os “mas?” e o repúdio à repressão policial que começa a tornar-se cada vez mais evidente neste país.

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Dicas práticas sobre “Como reduzir o deficit orçamental e aumentar a eficiência do Estado”

1. Não perder tempo com coisas ridículas como esta.

A sério? Uma queixa na Inspecção-Geral de Educação e Ciência por causa de futebol e uma canção infantil?

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Um Cornetto p’ra ti, um Cornetto p’ra mim, Olá, Olá, e a vida sorriiiiiii………

Aqui há um mês e meio fui ao cinema ver Os Homens que Odeiam as Mulheres no Campo Pequeno. Para quem é pai de uma criança de 16 meses, isto já de si seria motivo para uma festa.

Esperando ansiosamente na bilheteira para ser atendido, os meus olhos passaram pela lista de entidades que têm acordos de desconto com a concessionária dos cinemas e, lá estava, lado a lado com o Clube Olá, o Governo de Portugal.

Comparemos:

- Para se pertencer ao Clube Olá basta fazer um registo no site.

- Para se pertencer ao Governo é preciso ser-se eleito ou nomeado pelo Primeiro-Ministro ou Ministro com a tutela.

- No Clube Olá oferecem-se bilhetes duplos para o Jardim Zoológico e DVD’s do Max ( o Leão, entenda-se)

- No Governo de Portugal oferecem-se audiências com o Primeiro-Ministro.

- No Clube Olá ganham-se tatuagens efémeras.

- No Governo de Portugal ganham-se reuniões com os parceiros de Concertação Social.

No fundo, é a mesma coisa…

Não sei de que Governo tenha partido esta brilhante ideia, mas tendo em conta as dificuldades por que passa o casal presidencial, podiam ter estendido a promoção ao Palácio de Belém…

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A reforma da administração local – um debate necessário

[pequena nota]

A reforma da administração local em Portugal está em movimento mas da pior maneira. Ouve-se pouco e a opinião pública sabe ainda menos. A Troika aparece agora como desculpa perfeita para tudo o que é necessário e para o que não é necessário fazer no país. O memorando da Troika diz corte-se e corta-se, não se sabendo o que se tem de cortar ou não.

Ontem, numa iniciativa da Associação Portuguesa de Geógrafos, a reforma da administração local em Portugal foi debatida. Foi de consenso (apesar dos diversos quadrantes políticos envolvidos no debate) que é necessária uma reforma na administração local mas ficou claro que não pode ser esta que está em curso. Neste debate, a reforma foi apelidada de ‘parva’, ‘feita à pressa e de ânimo leve’, ‘antidemocrática’, ‘centralizadora’, ‘paternalista’, ‘vazia’, ‘perversa’, ‘tecnocrata’, … e ouviram-se frases como “O novo mapa que nos apresentam só tem em conta os números!”, “Vai levar a uma não reforma!”, “Uma proposta de Lei com problemas estruturais muito graves!”, “Processo que nos foi imposto e que caminha para o abismo!”, “Custa-me que se esteja a dar este passo com este resultado.”, “Portugal perde a oportunidade de pensar geoestrategicamente, forçando esta reforma!”.

As autarquias locais têm um papel de proximidade muito importante do ponto de vista social. Desenvolvem relações essenciais para manter a qualidade de vida da população. É o elo de maior proximidade entre os sistemas reais e os sistemas políticos existentes.

A redução da despesa pública é aqui o bode expiatório, enquanto o peso das 4259 freguesias no Orçamento de Estado é de 0,089% (para uma reforma administrativa que se diz feita em nome da redução da despesa pública este número diz muito!). Esta reforma contribuirá para um empobrecimento da democracia, para uma diminuição da diversidade e da variedade do poder político, para um maior afastamento das populações dos centros de decisão, para um reforço dos poderes dos presidentes de câmara, para um aumento do alheamento às questões políticas, para a perda de expressão e força de representação locais, em vez de contribuir para um reforço das competências e dos orçamentos de um parceiro tão essencial ao desenvolvimento como as juntas de freguesia.

Esta reforma, a ser feita, necessita de tempo (não se pode querer fazer uma reforma tão complexa como esta em meia dúzia de meses), de reflexão, de diálogo, de uma análise custo-benefício, de terreno (e de sair do gabinete), de uma visão de conjunto, de ter em conta objectivos e metas (tornando mais sólida a democracia) e de ter em conta os diversos pareceres das autarquias locais e de outras instituições importantes no processo.

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O país que comia meio frango

Há meses que ando para escrever isto, mas tornei-me momentaneamente info-excluído, algo que foi reparado há apenas uma semana…

Vou contar um segredo à RTP, que aparentemente ninguém naquela casa sabe: uma estatística é um meio e não um fim. Apresentar números sem os contextualizar é o mesmo que, sei lá, dizer que o Huckleberry Finn é uma obra racista e que se deviam alterar os termos mais ofensivos para uma linguagem politicamente correcta.

Isto a propósito daquela rubrica do telejornal que apresentava um retrato da evolução do país com base nos dados da plataforma Pordata, um programa chamado “Nós Portugueses”, e que continua disponível no site da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Foquemo-nos no capítulo sobre Construção:

- Em 1990 havia 21.688 empresas de construção civil que empregavam directamente 210.133 pessoas. Em 2009 existiam 107.536 empresas de construção civil que empregavam 472.730 pessoas. Mais do dobro! Mas espera, isso não significa também que a média de empregos directos por empresa baixou entre 1990 e 2009 de 9,7 para 4,39? E o que terá acontecido entre 1990 e 2009 para este aumento de trabalhadores da construção civil? Talvez uma Exposição Mundial, talvez um Campeonato Europeu de Futebol, talvez a internacionalização das empresas de construção, talvez a entrada de fundos comunitários aplicados em infraestruturas? Será, Alberta Marques Fernandes? Vamos ver a explicação? Nada.

Entre 1961 e 1970 construíram-se 49.142 habitações novas (serão fogos? serão apartamentos? serão moradias? Gente não é certamente e a chuva não bate assim), mas nas décadas seguintes construíram-se sempre mais de 70.000 habitações/década.

Uau! A sério? E isso quer dizer exactamente o quê? Aos olhos do Nós Portugueses, quer dizer que “se há mais oferta, há certamente mais procura”, invertendo aquilo que é por norma uma das bases de toda a teoria económica. Também quer dizer que a populaça se endividou para adquirir estas habitações. Mas porque é que isto aconteceu? Terá sido das políticas de habitação? Terá sido consequência do desenvolvimento e enriquecimento do país com a entrada na CEE? Terá sido por, entre 1961 e 1970 haver um défice de  habitação no país, levando muitos trabalhadores com empregos e salários estáveis a viver em bairros de construção clandestina? Terá sido do congelamento das rendas? Não haverá dezenas de milhar de fogos abandonados? Uma explicação? Vá lá? Sim? Não.

Acaba o programa com a seguinte tirada: segundo o banco de Portugal, existem neste momento cerca de 2 milhões e meio de créditos à habitação por saldar em Portugal o que quer dizer que, segundo o guionista do programa,um quarto da população portuguesa está endividada.

Como refutar estes números? De tantas maneiras, começando pela mais simples: se eu comprar casa com a minha namorada, isso conta só como um crédito contraído por duas pessoas. A não ser que os senhores do Pordata tivessem cruzado o número de empréstimos com o número e tipo de contraentes de empréstimo, essa estatística é mentira.

Este programa tinha tudo para ser um interessante estudo sobre as consequências das mais diversas políticas seguidas nas últimas décadas, mapeando o que correu bem e mal (e no sector da construção e da habitação haveria tanto, tanto para dizer…) mas decide ficar-se pelo soundbyte de imaginar os portugueses como uns pilantras que se endividam porque sim.

Contra factos não há argumentos.

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Joseph Kony

Vale a pena envolvermo-nos nestas lutas…vale, vale.

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